Mentiras


Já que falei sobre a verdade no artigo anterior, nada mais justo do que divagar sobre a mentira.

Quando comecei a rascunhar o assunto percebi o quão rico o tema proposto é e quanto assunto (polêmica) ele pode gerar.

Para entender um pouco mais fui caçar em materiais à disposição, algo sobre a mentira que não sabemos ou não queremos saber. Sem muito a acrescentar, a mentira nada mais é do que um ato ou efeito de mentir (dã), um engano, falsidade ou fraude. Ai já percebi que o “bicho” começava a criar corpo. Um juízo falso ou equivocado, pra alguns não deve ter surtido surpresa alguma, entretanto, ideias e opiniões são sinônimos de mentira. Tirando o regionalismo que pode dar sinônimos de alguns pratos típicos de comida, eu particularmente fiquei surpreendido.

Parecia uma tempestade de raios em minha massa cinzenta quando comecei a estudar o assunto.

Vasculhei Google, dei um bisbilhotada pela Larousse e até a Barsa futuquei e, se tivesse mais algum livro empoeirado por aqui também olharia, tudo pra não escrever bobagens, e se por ventura ainda sim pisar na jaca, comente.

Partindo deste preâmbulo podemos entender que mentira é então uma representação abstrata de um ser, um objeto, uma relação, etc., elaborada pelo pensamento. Faz sentido.

Vamos pensar um pouco?

  • Minotauro, o ser mitológico.
  • Um carro voador.
  • Todo casamento é eterno.
  • Um vaso de petúnias falar.
  • Cantor Belo ser bonito.

Temos então alguns exemplos de abstrações?

A mentira pode ser uma maneira de vermos as coisas, então achar que o Belo é bonito é uma mentira pra mim. Mas pode ser verdade para alguem. Também podemos dizer que a mentira são as relações de palavra e a ideia que representa, ou seja, a mentira é um conceito.

Podemos ir mais além, dizer que uma ideia que expressamos sobre um assunto é uma mentira. A maneira particular de pensar um determinado assunto, idem.

Uma afirmação sem fundamento, um parecer favorável ou não sobre uma pessoa, assunto ou algo.

Resumindo, uma opinião é uma mentira, dependendo do ponto de vista.

Na minha opinião, acho que uma mentira não é necessariamente o oposto de uma verdade.

Na Larousse Cultural encontrei o paradoxo do mentiroso, conjunto complexo de preposições, da autoria de sofistas gregos, que traduz, segundo eles, uma contradição insolúvel (que descreve, na verdade, a auto-referência) e que se exprime assim:

” Você diz que você mente. Se isso é verdade, então você mente também ao dizer que você mente e então é falso que você mente. Mas se isto é falso, então você não mente também ao dizer que você mente, portanto é verdade que você mente”