O Iniciado – Capítulo II


– É para ter medo mesmo. – Continua Julius.
– Mas não falei nada. Respondi intrigado.
– Eu sei o que você está fazendo e saiba que se eles não deixarem, nada disso continuará.
– Não estou pensando em nada.
– Mais vai.
– Agora sim você me convenceu que tenho que ter medo desta coisa toda. Pode continuar seus encantamentos e por favor termina logo. – Conclui conformado
– não são encantamentos Marcus, são senhas para acessar os portais de transporte, por enquanto estamos num hub, estou tentando encontrar a senha para o portal certo que nos levará ao conselho que te ajudará no processo de iniciação e depois na tua missão.
-Ok.
Julius pensa um pouco e logo em seguida fala algumas palavras, aparece no centro do salão um painel onde ele digita alguns caracteres, e aparece em nossa frente logo em seguida um algo como um portal de forma triangular com o mesmo material das colunas, três hastes arredondadas perfeitamente encaixadas entre si só que estas estavam brilhando fortemente vários símbolos em sua superfície. Eu que não sou bobo toquei em uma das colunas do salão e agora percebo que as colunas não provocam mais formigamento. Como se a energia que fluísse das colunas tivesse sido drenada e neste momento sou repreendido novamente.
– Não toque em mais nada.
No centro do painel, abre-se um buraco onde Julius enfia a mão até a altura do pulso.
– Este é o painel para homens, para outras espécies o formato é um pouco diferente. – informou Julius
– Decidiu falar. Já estava me sentindo um idiota- Respondo com ironia. – Quer dizer então que não estamos só no universo?
– De fato, não. Mas tem algo além disso. De qualquer forma não posso detalhar isso por agora, mantenha a postura de idiota, é o máximo que pode fazer de momento. Além do que só estava ganhando um tempinho porque o sistema está meio lento para identificar e transportar em duplas.
Enquanto Julius falava, no centro do portal começa a manifestar alguma atividade estranha aos meus olhos e ele gira o braço, neste momento me sinto vestido com a mesma vestimenta do Julius, a malha na verdade é de corpo inteiro do pescoço aos pés embaixo da túnica, extremamente leve, parecia seda, o elmo, levíssimo e a gorja, super maneira, no meu caso o tênis era o que eu estava usando na festa, só que prata, mas com a flexibilidade de borracha. Julius gira o braço à posição inicial e retira o braço, o evento no centro do portal se expande e Julius fala em tom humorado:
– Os mais velhos na frente. – Aponta Julius para o centro do evento.
– Com todo o prazer. Respondo no mesmo tom e sigo em direção ao portal quase que ao mesmo tempo que Julius. Curiosamente desta vez não senti nada e consigo ver Julius seguindo ao meu lado. Abaixo somente consigo enxergar uma espécie de ponte só identificada pela refração da luz, à frente novamente começa a crescer o evento na medida que encaminhamos em sua direção. Atravessamos o evento e aparecemos num lugar semelhante ao hub porém com duas saídas em lados opostos onde antes não tinha colunas. Aparecemos já com as túnicas, e já nos encaminhamos para a porta logo a nossa frente. Julius mais a frente abre a porta e gesticula cordialmente para minha passagem.
– Bem vindo a Sibélius Warvih, quarto planeta do sistema solar da galáxia de… –Julius parou um pouco pensativo – desculpa Marcus queria trazer uma imagem mais inteligente mas não entendo porra nenhuma destas paradas de universos, multiversos e afins. Para alguns é uma espécie de purgatório, para outros, talvez, o paraíso, isto em se tratando de terra, para os daqui acho eu que os daqui considera a terra uma dimensão paralela, ou algo semelhante, mas depois você será instruído sobre tudo isso, de qualquer forma não se esqueça do idiota, por agora, comporte-se como um.
– Agora é mais do sério Julius, estou morto?
– Não.
– Voltou a ser monossilábico?
– Sim.
-Chato.
Saímos num parque, olhando para trás pude perceber que a estrutura era similar templo do Oráculo de Delphis
– A civilização NarHellás que criou o Transporte influenciou muito a cultura grega ao contrário dos SanNarmer que estavam próximas à cultura egípcia.
– E Atlântida
Ao contrário do que sua amiga pensa, não. Isto faz parte da mitologia NarHellás, assimilada pelos gregos e falsamente originada no Egito.
– Quem são estes?
– Cala boca! – Julius me censura. Percebendo que está falando demais. – Você pergunta demais.
Cinco minutos de silencio e andando por uma estrada de pedras polidas com aquele mesmo material semelhante as colunas, cercado por uma vegetação típica de um jardim botânico, era a vista que tinha até chegar as construções daquele lugar. A primeira vista a direita um enorme prédio com pelo menos uns 30 andares, sua peculiaridade vem do térreo com características muito próximas ao templo de Artemisa e uma placa na base próxima a rua uma placa escrita “Guardiões”, do lado esquerdo dois prédios menores, o primeiro todo de vido negro, de mais ou menos uns cinco andares, chamado de “Central de Controle” e o segundo na sequência, “Gestão das Repúblicas”. Continuamos a caminhada, passamos por um cruzamento e encontramos a “Secretaria LV I” a direita e a esquerda “Secretaria LV II”, mais um pouco, chegamos ao nosso destino, o prédio da “Administração”, este último também seguindo a linha do prédio dos Guardiões com estrutura grega ao contrário dos demais altamente tecnológicos.
– Isto é um tipo de universidade? – Pergunto.
– Sim. Julius voltou a ser monossilábico- Vamos estamos meio que atrasados – Conclui.
Ao entrar no prédio, espantou-me o contraste do prédio interno com a fachada externa. Era tudo muito tecnológico dentro daquela estrutura. Um homem de preto se achegou, cumprimentou-nos e encaminhou Julius ao mezanino que ficou por lá pelo menos uns 20 minutos, neste interim o homem de preto voltou a minha presença e com sua postura, calado ao meu lado, disse sem nenhuma palavra, fica na tua que tudo ficará bem.
– Porque tenho a impressão de só ter humanos neste local? – Perguntei ao MIB?
– Aqui não é Star Treck, isso é uma base humana. E MIB não é forma de tratamento à um Securitá.
– Uhum. Explicou bastante.
– Sabe a coisa do idiota? Continua sim.
– Entendi, cala boca!
– Desculpa sir. Marcus, entendo que é difícil mas tudo será esclarecido ao seu tempo. Aguarde que já está acabando. – Finaliza o segurança.