Os Enfermeiros


Sempre por perto, os enfermeiros são figurinhas à parte nas minhas histórias. Fazem parte do backstage, por isso não os menciono tanto.

Teve um dia em particular que um enfermeiro, brincando, mencionou algo sobre me processar se eu contasse algo sobre ele, mas deixei o amigo de branco triste quando falei que só conto histórias de quem tem algo à agregar, algo relevante.

Vi na sua face um ar de descontentamento.

Por isso e algo mais decidi falar um pouco sobre o staff do hospital.

No geral são profissionais muito chatos, sempre tem um te futucando, cutucando ou te monitorando, não sei porque afinal tanto empenho. Eles acham o que? Que vamos nos matar? Pensando bem… Esquece isso.

A enfermagem, generalizando, mostra pessoas muito dedicadas ao que fazem. Muitos entretanto são apenas profissionais, outros sequer posso considerar, mas fiquem tranquilos, são minorias.

São pessoas.

Amáveis, felizes, com contas a pagar, salários aquém, gentis, carrancudos, amigáveis, medrosos, corajosos… Alguma semelhança com outras profissões?

No momento que escrevo o rascunho deste artigo, estava com um lápis. A caneta que a minha terapeuta ocupacional me emprestou, sumiu.

Fico um pouco angustiado pois estou na psiquiatria, não é legal saber que um objeto como este some e não tem paradeiro.

Tomara que os enfermeiros estejam usando esta bendita caneta em outro setor. Veja bem “TO”, se estiver lendo este artigo:

Eu devolvi a caneta na enfermaria

Aproveitando, lembrei que estava fazendo um estilete na Observação. Sério gente!!!

Voltamos a origens. O humano vira bicho quando fica preso, na verdade alguns, outros como eu são muito covardes para enfrentar a punição por mau comportamento, que no caso da psiquiatria era a “contenção”. Quatro homens de preto, um para cada membro te seguram enquanto as lindas enfermeiras te amarram na cama. Uma voz aqui dentro me sugeriu jogar fora o estilete feito com o cabo de colher de plástico, a única coisa rígida que me davam nas refeições…