Memórias

Tenho memórias que me permitem colá-las no papel e traduzi-las em textos, entretanto, não entendo porque não as consigo colar de forma integral, como as gravei, um mistério que a ciência já começa a desvendar, todavia como não se tenha a ideia de como gravar tudo o que se quer d depois reproduzi-las fielmente, vamos seguindo colando nossos trechos de memorias e tentando passar nossos conhecimentos.

Uma das coisas que descobri é que nossas memórias estão atreladas aos nossos sentimentos. Em tese gravamos nossas memórias mais impactantes emocionalmente. Ações e emoções são os gatilhos dados aos nossos armazenadores para registrar uma memória. Dor, ansiedade, curiosidade, amor, paixão, vergonha, e por ai vai.

Me lembro que meus primeiros anos de escola eu decorava tudo quase que de imediato, assim que a professora dizia, a paixão com que estudava era tanta, e o mérito do dez? Nem se fala. Contar até dez foi um êxtase, e para aprender até cem, era muita ansiedade, tanto é que por vários dias contei quinze como “dez e cinco”.

Frequentava a escola de manhã e para chegar a escola passava na frente da casa do meu avô. Determinado dia decidi ir à casa dele, mesmo sabendo que estaria fechada. Neste dia estava aberta e resolvi entrar e fui ao quarto de meu avô, ele estava dormindo um sono muito sereno, dava para senti-lo respirar. Voltando da escola, me contaram que descobriram meu avô morto logo pela manhã. Acredito tê-lo visto por último vivo e bem, minha memória do dia diz que vi meu avô morrer dormindo, sem sofrimento.

O primeiro amor, lembro do perfume, e da macieis de suas roupas ao abraça-la, o nome, não sei…

O primeiro mico, na aula de educação física jogando vôlei, minha primeira manchete entortou o refletor da quadra.

De algumas outras coisas constrangentes quase não me lembro mais. Talvez tenhamos um setor de “delete de merda” que nos permita um pouco de sanidade mental, mas não é pra tanto, qualquer coisa que nos lembre uma merda feita anteriormente, o undelete traz todos os micos de volta, daí vem a ideia de que as pessoas se afastam de algumas coisas ou até mesmo passarem mal próximo a algo que sequer se aproxime de algum momento destes.

Memorar um fato nos traz tanta emoção quando do momento em que foi realizado, mas porquê?

A lembrança é uma reutilização das sensações ou impressões que temos adquiridos com o tempo, talvez por isso.

Talvez por isso queiramos viver no passado como se fosse uma droga, e nos casos contrários queiramos esquecer a tal ponto que nos leve a depressão.

No final das contas, queremos tanto fazer bons fatos memoráveis para que seja o nosso ópio no futuro.

Não deixe de brincar com seu filho, não venda suas férias!