Um dia no hospicio

Quando achamos que tudo vai bem, vem o destino e nos reserva uma surpresa.

Um dia antes, estava eu desesperado para arranjar testemunhas para uma ação trabalhista. Nunca imaginei que seria uma situação tão difícil, principalmente por ser introvertido, nunca fui de muitos amigos.

Dado o desespero, entrei em contato com todas as pessoas que teria algo a agregar ao meu processo, que difícil.

Acabei juntando duas pessoas que não se dão por qualquer motivo que desconheço, mas enfim são duas pessoas que pra mim são marcantes e especiais.

Juntar estas duas pessoas suma sala de fórum foi tão angustiante quanto traumática.

Outro  momento marcante foi  que acabei de descobrir que não consigo pegar um simples elevador e tive uma caminhada pelas escadas do fórum de 15 andares.

Advogado atrasado, e depois na audiência uma falha do processo atrasa os procedimentos em pelo menos uns 6 meses.

Um belo cenário onde tudo parece dar errado e deu.

Passado a pane inicial, tive uma pausa pra relaxar com uma confortável conversa com uma amiga, porém finalizado a pausa tinha dois caminhos, ir pra casa ou passar num pronto socorro…

Quando você já sabe que tem problemas,  escolhas podem ser a diferença entre a vida e qualquer outra coisa.

Fui para um hospital, pedir minha vida de volta, aliás já deveria ter feito isso já um bom tempo.

A médica que me atendeu não viu com bons olhos este pedido, porque eu literalmente pedi minha vida de volta.

Fui cordialmente convidado para ir para uma outra sala, já sentindo a presença de um segurança as minhas costas. Sentei num sofá e logo um enfermeiro vem em minha direção colocando luvas cirúrgicas.

Já senti que algo ia dar mais errado ainda.

Fui conduzido à um banheiro e educadamente informado pelo enfermeiro que ele não era gay, e era pra ficar tranquilo e pediu pra mim retirar a roupa. Não sei ou não entendi o comentário, simplesmente retire minha roupa, entreguei meus pertences e recebi um agasalho do hospital, alguns minutos depois recebi algum medicamento por outra enfermeira.

Estava preso.

Dez minutos depois estava de volta a sala e agora pude perceber à minha frente uma senhora falando com um rapaz com um crachá de visitante. Na minha esquerda um rapaz com um agasalho e um short por cima, mais ao lado uma linda loira lá com seus vinte e poucos anos, com o mesmo agasalho, ao meu lado senta  uma outra moça que me complimenta em inglês, que logo foi distanciada de mim por uma enfermeira, cinco minutos depois uma correria dos seguranças por causa de um outro indivíduo que bateu numa enfermeira…

Uma experiência muito extranha começou e acabou em poucas horas. Marcou, criou cicatrizes e estou tentando digerir tudo que aconteceu.